O projeto começou com ambição razoável: prever inadimplência em 90 dias usando variáveis comportamentais de clientes de uma financeira de médio porte. Os dados cobriam 26 meses de histórico e 87 variáveis. O modelo foi descartado antes de chegar à produção.
O diagnóstico que levou 6 semanas para aparecer
A rede memorizava padrões específicos de períodos econômicos passados. Quando o contexto macroeconômico mudou — taxa Selic subindo 3,5 pontos em 4 meses — o modelo perdeu calibração. A curva de precisão-revocação colapsou de 0,81 para 0,49 em dados recentes.
Tecnologias subjacentes à IA e o problema da generalização temporal
Redes neurais profundas são poderosas para análises de instrumentos financeiros estáticos. Mas inadimplência é sensível a ciclos econômicos que o modelo nunca viu durante o treino. Sem features macroeconômicas explícitas — como variação do IPCA e nível de emprego regional — a rede não tem como generalizar para novos regimes.
O que foi feito diferente na segunda tentativa
A arquitetura foi simplificada para 2 camadas com regularização L2 forte. Foram adicionadas 8 variáveis macroeconômicas defasadas em 30 e 60 dias. Estratégias financeiras de crédito precisam de modelos que entendam contexto, não apenas comportamento individual do cliente.
O novo modelo não é mais preciso — mas é mais estável, e em produção isso vale mais.